As Escolas de Luta

versão 3 · atualizado em 2026-09-14 · Seu personagem

Nota. Técnica de arte marcial é presa a estilo, e estilo tem dono. Esta é a lista fechada das escolas que existem na Garganta. Nenhuma outra existe; nome que faltar vira Pendência antes de virar linha de ficha.

As técnicas estão na Tabela de Perícias, seção 15, com dificuldade, pré-definido, nível máximo e custo. Aqui está de quem elas são.

1 · O que um estilo é — e o que ele não é

Um estilo não dá bônus. Ele dá acesso. Quem entra numa escola não fica mais forte por ter entrado: fica autorizado a comprar, com pontos, o que aquela escola ensina. Quem não entrou não compra por preço nenhum.

Toda escola desta lista tem as mesmas quatro partes, e todas as quatro entram na ficha:

  1. A lista de técnicas que ela licencia. Está no verbete de cada escola, abaixo.
  2. O preço de entrada, pago uma vez — em grão, em serviço ou em tempo.
  3. Uma linha de desvantagem, que vale pontos e que o Mestre de Cena chama. Dever, Juramento, Dívida, Senso de Dever ou Compulsão, conforme a escola.
  4. Uma condição de expulsão, escrita. Ver a seção 4.

Nenhuma escola é de graça, e nenhuma é irrevogável. Foi assim que a decisão do Árbitro de 13/09/2026 as encomendou: quem ensinou tem nome, e quem ensina pode deixar de ensinar.

O teto do que uma escola pode dar, e de onde ele vem

O precedente é de 09/09/2026, e está no circuito do pancrácio, seção 2.2: um estilo nomeado foi aprovado com um benefício só, e estreito — mãos livres, carga no máximo leve, +2 em teste para não ser derrubado e para se levantar, que não acumula com nada e não dá bônus de ataque, de dano nem de defesa.

É esse o teto. Escola nenhuma desta lista concede vantagem, atributo, defesa a mais ou modificador de dano. O que ela concede é a licença de gastar ponto onde os outros não podem.

As três defesas ampliadas passam por aqui

Apara, Bloqueio e Esquiva Ampliadas (Tabela de Vantagens, seção 4a) não se compram na criação do personagem e exigem um mestre que tenha nome. O mestre sai desta lista, e de nenhum outro lugar. Quem não está numa escola não compra as três, e quem foi expulso de uma para de subir nelas no dia da expulsão.


2 · As onze escolas

2.1 · ÔNFALOS — o Pátio de Bronze

Casa de Atena.

Quem ensina, e onde. A muralha velha de Ônfalos, que ninguém mantém porque ninguém acredita que a cidade será atacada, virou o campo de instrução da Casa de Atena. O pátio fica no trecho descoberto, entre a muralha e o primeiro terraço de oliveira, e a instrução é diária, ao amanhecer, antes do calor.

O que custa entrar. Nada em grão. O Dever da Marca se estende: a Casa pode chamar o aluno para a linha, e a linha não é metáfora — é uma formação que se forma, em Ônfalos ou na Coroa, com o aluno no lugar que lhe couber. Quem já tem Dever à Casa de Atena não paga ponto nenhum a mais; quem não tem, compra o Dever.

A fraqueza estrutural. Toda técnica do Pátio pressupõe um homem de cada lado. Ela ensina o que fazer quando a linha se fecha e o inimigo entra pelo vão — cabeçada, cotoveladas, pisão no que caiu, torção de pulso em quem agarrou a lança. Sozinho, o Pátio não vale nada, e em corredor mais estreito que três homens vale menos ainda, que é a largura de quase tudo abaixo do andar 4. Um aluno do Pátio no fundo da Garganta está usando um estilo fora do lugar dele, e sabe disso.

A consequência política. A Casa de Ares mantém instrução rival, na praia, e chama o Pátio de escola de covarde que se esconde atrás de escudo alheio. A Assembleia tenta, toda estação, transferir o pátio do santuário para a arrecadação da cidade — a mesma briga que trava pelas forjas, e pelo mesmo motivo: enquanto o pátio for da Casa, quem decide quem aprende é a Casa. Gapheim copiou a formação há quarenta anos e desistiu, porque não tinha como fazer onze assentamentos treinarem juntos — e o que restou daquela cópia é a casa que arma o fiorde, §2.10.

Licencia: Golpe com a Cabeça · Golpe com o Cotovelo · Pisão · Torção de Pescoço · Chave de Braço ou de Pulso · Queda.

2.2 · ÔNFALOS — o circuito do pancrácio

Sem Casa. A bolsa é o dono.

Quem ensina, e onde. O circuito é um calendário de lutas com bolsa, que roda entre Ônfalos, as ilhas e o anel interno do Limiar. Não tem sede: tem mestres, e cada mestre tem os seus. Ensina-se no pátio de quem paga.

O que custa entrar. A bolsa. Quem banca a sua luta é dono dela — escolhe o adversário, a data e a parte que fica com ele. A dívida é em grão e é executável; quem não luta quando o dono da bolsa marca, deve o valor da bolsa.

A fraqueza estrutural. É desarmado e é esportivo. Roda sob Regras de Torneio, e o que as Regras proíbem o circuito não ensina: não há golpe nos olhos nem ataque ao rosto na instrução, e quem precisa deles num corredor escuro descobre que nunca treinou. Contra armadura, mão vazia é mão vazia: o pancraciasta que encontra laudel bate e não passa.

A consequência política. Aposta. Ônfalos é agonística e o circuito é onde a cidade aposta dinheiro em pessoas — o que significa que perder na hora certa vale mais do que ganhar, e todo mundo sabe, e ninguém prova. As Casas não o controlam e por isso o toleram; a Assembleia o regulamenta duas vezes por década e desiste nas duas.

O estilo de quatro apoios. Saiu deste circuito, e é a única concessão mecânica que uma escola desta lista faz. Com as duas mãos livres e carga no máximo leve, +2 em teste para não ser derrubado e para se levantar. Não acumula com nada, não dá bônus de ataque, de dano nem de defesa. Quem quiser mais que isso compra Judô ou Acrobacia com pontos. (Decisão do Árbitro de 09/09/2026, publicada aqui pela primeira vez.)

Licencia: Jab · Soco Circular Amplo · Soco Coelho · Soco em Círculo · Golpe com a Mão · Bloqueio com a Mão · Golpe com o Cotovelo · Golpe com o Joelho · Chute · Telefone · Deslizamento · Queda.

2.3 · GAPHEIM — os que levam o machado ao Thing

A corte de Sigrun a Lei-Dita.

Quem ensina, e onde. No pátio da corte do Thing, no Limiar, e nos três fiordes quando a corte viaja. Em Gapheim, palavra dita no Thing é vinculante, e quem fala pode ser chamado a sustentar a palavra pelas armas. Nem todo mundo pode fazer isso: o velho, o ferido, a viúva, o que perdeu a mão. Os que levam o machado são os que se levantam por eles.

O que custa entrar. Você fica disponível. Qualquer homem livre pode te chamar para sustentar a causa dele, e a chamada é pública. Recusar uma vez encerra a sua passagem pela escola, e a corte registra a recusa. Na ficha é Juramento, não Dever — e é caro, porque cumpre.

A fraqueza estrutural. É estilo de um adversário, em chão plano, com testemunha e com fim combinado. Termina em chave, não em morte: o duelo do Thing acaba quando um cede, e a instrução inteira é feita para chegar ali. Não tem resposta para número, e não tem nenhuma para o que não aceita desafio — que é tudo o que mora na Garganta. Um homem do machado contra três é um homem que vai morrer sabendo exatamente como teria vencido um.

A consequência política. Sigrun é intocável e não tem aliados, e as duas coisas são a mesma: ela não deixa a escola virar dela, e por isso ninguém a controla e ninguém a defende. A Casa de Odin a quer, e a quer há vinte anos. Ônfalos chama a coisa inteira de superstição até a primeira vez que perde uma causa no Limiar, e aí manda observador. Ámenti a copiou por escrito, no arquivo, e não conseguiu reproduzi-la: o que falta em Ámenti não é a técnica, é gente que acredite que perder um duelo encerra a discussão.

Licencia: Chave de Braço ou de Pulso · Chave de Cabeça · Mata-Leão · Segurar Perna · Rasteira · Voadora · Torção de Pescoço · Golpe com a Cabeça · Queda.

2.4 · ÁMENTI — o Registro dos Golpes

Casa de Thoth.

Quem ensina, e onde. Em sala fechada, na margem oeste, ao lado do arquivo. Não se ensina lutando: ensina-se lendo. Ámenti registra cada descida, cada morte e cada disputa desde antes do tratado, e o que se compra aqui é o acervo — como um homem de Gapheim mata, o que uma boca-de-poço faz antes de saltar, em que ordem um esgrimista de Ônfalos ataca quando está cansado. O treino de corpo vem depois, e é secundário.

O que custa entrar. Você deposita. Toda luta que você sobreviver vira depoimento escrito, arquivado dentro do mês, e verdadeiro. O Tribunal de Maat confere contra o que já tem, e depoimento falso é o mesmo crime que registro falso. Na ficha é Dever ao Tribunal, e quem já tem Honestidade não precisa comprar nada a mais.

A fraqueza estrutural. Ganha da segunda vez, nunca da primeira. A escola inteira é defensiva — bloqueio, apara, quebrar a distância, cair sem se machucar — e o golpe que resolve vem depois, quando o arquivo já disse o que o outro vai fazer. Contra o que nunca foi visto, o aluno não tem nada: fica vivo e não vence. É por isso que os fundidos assustam Ámenti mais do que assustam as outras seis — coisa sem registro é coisa que a escola não sabe combater.

A consequência política. Este é o arquivo usado como arma, que é o que Ámenti faz com tudo. A escola é o motivo prático de a embaixada querer o registro da Guilda: com ele, o acervo ficaria completo, e Ámenti saberia lutar contra qualquer aventureiro registrado antes de encontrá-lo. Korvas não cede, e sabe exatamente por que está sendo pedido. Fengdu tentou comprar cópia e foi recusada, o que é raro o bastante para ter virado assunto de embaixada.

Licencia: Bloqueio Agressivo · Bloqueio com a Mão · Bloqueio com o Pé · Apara do Judô · Deslizamento · Queda. Exige Análise de Estilo — sem essa perícia, nenhuma técnica desta escola pode ser comprada.

2.5 · TULÁN — o Comando de Contenção

Yax Balam, rank A.

Quem ensina, e onde. Na boca do Poço, no Limiar, aos trezentos que ele comanda e a quem a Guilda contratar para contenção rasa. A escola é o trabalho: treina-se descendo, e o instrutor é quem voltou na semana passada. É a maior escola das nove, de longe, e a única que aceita rank F no primeiro dia.

O que custa entrar. Você fica de chamada. Quando a Pressão de um andar raso sobe, você vai, e vai onde mandarem — não onde o contrato pagaria melhor. Na ficha é Senso de Dever à contenção, e o Mestre de Cena o chama na semana em que a Pressão subir, não na semana que convier ao jogador.

A fraqueza estrutural. Foi feita para tomar coisa viva e segurar a boca de um andar. Prende, imobiliza, arremessa, derruba, e é excelente nisso. É ruim de matar. Cada turno gasto prendendo é um turno em que a coisa não morreu, e no fundo, onde as coisas não se cansam e a esquadra sim, prender é o jeito lento de perder. Contra o que precisa morrer agora, o aluno da contenção resolve devagar, e devagar mata quem está do lado dele.

A consequência política. As outras seis cidades pegam carona nisto e nenhuma paga. Tulán banca a instrução, a Guilda banca o contrato, e o resto do mundo colhe um Limiar que não é invadido. É a maior alavanca que Tulán tem e ela nunca a usou — e o dia em que Yax Balam fechar a escola às outras seis é um dia de crise diplomática. Ele não fecha porque está cansado, não porque é generoso. Amaravati foi a única que ofereceu pagamento e foi recusada, por escrito, sem explicação.

Licencia: Apara do Judô · Arremesso do Judô · Rasteira · Varredura · Chave de Braço ou de Pulso · Chave de Cabeça · Chave de Dedo · Mata-Leão · Segurar Perna · Voadora · Queda.

2.6 · FENGDU — o exame de arma

O nono distrito.

Quem ensina, e onde. No nono distrito da cidade murada, que é o distrito da avaliação. Fengdu admite por exame em tudo, e a luta não é exceção: há um programa, há avaliadores e há nota. Ensina-se por formas — sequências fixas, executadas diante da banca, contadas e pontuadas.

O que custa entrar. Você presta o exame de novo todo ano. Reprovar não expulsa: rebaixa, e o rebaixamento é público e escrito. Na ficha é Dever ao Departamento, e a semana do exame é ação de mundo gasta, todo ano, para sempre.

A fraqueza estrutural. É rubrica. A escola ensina o que o exame mede, e o exame mede o que está no programa. O programa não é revisado desde antes de a Garganta ser interessante: foi escrito para adversários humanos, armados, de pé, que atacam de frente e um por vez. O aluno é excelente contra isso e desconcertado por tudo o mais. Uma banca não pode graduar o que não se demonstra diante dela — e é por isso que energia interior não entra no programa, o que a cidade apresenta como rigor e as outras seis leem como o contrário.

A consequência política. A nota é portátil. As guildas das outras seis começaram a lê-la, e um aventureiro com nota de Fengdu negocia melhor sem ter descido mais fundo. Isso é um segundo registro, e Korvas não tem resposta para ele: a Guilda classifica por profundidade alcançada, e Fengdu classifica por competência demonstrada, e as duas coisas não são a mesma. Ilê Ifé recusa reconhecer a nota, e recusa em voz alta.

Licencia: Bloqueio Agressivo · Bloqueio Agressivo com o Pé · Bloqueio com a Mão · Bloqueio com o Pé · Postura do Gato · Shuto (Mão em Espada) · Golpe com a Mão · Chute.

2.7 · AMARAVATI — a Casa de Hanuman

O pátio do santuário.

Quem ensina, e onde. No pátio do santuário de Hanuman, nos anéis internos, que têm mais de mil anos. A instrução é longa e não tem pressa, como a cidade.

O que custa entrar. O voto de não sacar fio. O aluno não carrega nem usa arma de corte ou de ponta — bastão, mão aberta e nada mais. É por isso que a escola ensina a desarmar: quem não pode matar com lâmina aprende a tirar a lâmina do outro. Na ficha é Juramento, e o dharma o sustenta: em Amaravati, o que é certo depende de quem você é, e o aluno de Hanuman é alguém que não corta.

A fraqueza estrutural. Duas, e elas se somam. Bastão contra armadura é ruim, e a Garganta está cheia de coisa com couro, placa e casco. E contra o que não tem mão, metade da escola simplesmente não existe: garra, mordida, tentáculo e o que nunca empunhou nada não se desarmam. O aluno de Hanuman é formidável contra gente e medíocre contra o andar 6.

A consequência política. A regra de não cortar é lida pelas outras seis como fraqueza, e quem a lê assim apanha — o que fez a escola virar a prova favorita de Amaravati de que o dharma não é ingenuidade. Dentro da cidade é o contrário: o voto é de casta, e há brâmanes que consideram escandaloso que um santuário ensine luta a quem não nasceu para ela. A escola aceita estrangeiro há doze anos e a briga sobre isso não terminou.

Licencia: Yawara · Golpe com a Mão · Bloqueio com a Mão · Golpe com o Cotovelo · Golpe com o Joelho · Postura do Gato · Shuto (Mão em Espada) · Chute · Pisão · Queda.

2.8 · ILÊ IFÉ — os Doze de Baixo

Vantê, rank A.

Quem ensina, e onde. Vantê, aos doze batedores dele, e a quem ele conduz. Não há sede e não há turma: ensina-se descendo, e o que se ensina é o que o cliente precisou naquela descida. Quem paga condução e presta atenção sai sabendo mais do que entrou, e isso não está no preço — é o que ele faz de graça e não admite que faz.

O que custa entrar. Você não vende o que aprendeu. Nem mapa, nem aula, nem exclusividade a embaixada nenhuma — e a recusa é pública, como as dele. Na ficha é Juramento, e ele cobra: aluno que abriu escola própria ou vendeu rota deixou de ser aluno no dia, e Ilê Ifé fica sabendo.

A fraqueza estrutural. É estilo de quem vai embora. Varre a perna, quebra o joelho do que está no caminho, desliza para fora do alcance e atravessa. Não sabe segurar terreno e não sabe acabar uma luta. Numa contenção — que é metade do trabalho pago da Garganta — o aluno dos Doze faz o inimigo passar por ele, que é exatamente o oposto do contratado. Vantê considera isso uma qualidade e não está claro que esteja errado.

A consequência política. Ele recusa virar cargo, concessão ou selo de cidade nenhuma, e recusou as sete embaixadas uma por uma, em praça, para que a recusa ficasse registrada. Mas são doze bocas por semana, e é por isso que ele aceita contrato que preferiria recusar — e quem entende isso contrata na semana errada de propósito. A rival é Funmilayo, que foi da esquadra dele, e a briga é sobre método: ela diz que ele vende dependência, ele diz que ela vende gente morta com dois anos de atraso. Nenhum dos dois está falando de golpe.

Licencia: Chute · Chute Circular (Giratória) · Chute Circular Lateral/para Trás · Chute Descendente · Chute Para Trás · Chute Saltando · Golpe com a Canela · Varredura · Bloqueio com o Pé · Bloqueio Agressivo com o Pé · Rasteira · Deslizamento.

2.9 · OS FIADORES — fiança de contrato

Não é cidade. É companhia.

Quem ensina, e onde. Numa casa de estrada na Coroa, fora das sete, e em qualquer lugar onde tenham gente no livro. Os Fiadores garantem contrato: uma folha da Guilda com o selo deles paga ao contratante mesmo se a esquadra inteira morrer. Quem garante risco tem interesse em risco barato, e gente treinada é risco barato — por isso a companhia ensina, e ensina bem.

O que custa entrar. Seu nome entra no livro, com um valor ao lado. Comida, aço, teto e instrução são lançados como empréstimo, e trabalham-se de volta em contrato garantido. O valor não é segredo: qualquer um pode perguntar quanto você deve, e a companhia responde. Na ficha é Dívida, e ela não prescreve — a companhia considera que documento que a pessoa assina em si mesma não vale nada, e quem some continua no livro como inadimplente.

A fraqueza estrutural. A instrução inteira serve a uma coisa: trazer a carga de volta. É esgrima de recuo e de distância — impacto de parada, mergulho, romper o alcance, sair. E por isso o aluno recusa a briga que o cliente quer: quando a escolha é entre entregar a encomenda e vencer a luta, a escola manda entregar, e manda por reflexo, antes de qualquer decisão. Já custou contrato, já custou aliado, e a companhia trata isso como preço aceitável, o que não é a opinião de quem estava do lado.

A consequência política. Uma companhia que possui nomes nas sete cidades é a instituição que o tratado do Limiar não previu. O selo vale dinheiro e o registro da Guilda não promete o que ele promete: Korvas registra quem você é, e o Fiador garante que alguém paga. As sete cidades tratam a companhia como fornecedor e nenhuma quer discutir o que ela é. Só eles ensinam esgrima, e é o motivo prático de meio duelista do Limiar dever alguma coisa a eles — inclusive gente que jura não dever, e gente que aprendeu com quem aprendeu lá.

São os únicos que ensinam as duas técnicas que o circuito do pancrácio recusa — golpe nos olhos e ataque ao rosto. Uma companhia que garante entrega ensina o que ganha, não o que é limpo.

Licencia: Flecha · Impacto de Parada · Mergulho no Chão · Estocada · Corpo-a-Corpo · Golpe nos Olhos · Ataques contra o Rosto · Deslizamento · Queda.

2.10 · GAPHEIM — a casa que arma o fiorde

Cada casa mercante, e não há escola pública.

Quem ensina, e onde. Nas onze povoações dos três fiordes, dentro de casa. É o que restou da formação que Gapheim copiou de Ônfalos há quarenta anos e abandonou: não havia como fazer onze assentamentos treinarem juntos, então cada casa guardou a parte que dava para treinar sozinha — o aperto, a cabeçada, o joelho, o pisão no que caiu. Ensina-se contra saqueador, não contra o que sobe do poço: as povoações não têm muralha, e a defesa é a água e o fato de que todos se conhecem.

O que custa entrar. Parentesco, ou juramento de hospitalidade aceito diante da casa. E o preço verdadeiro é o outro: você herda o feud da casa, o que ela deve e o que lhe devem. Na ficha é Inimigo, e é o mesmo valor que já vale nesta campanha para grupo médio que aparece de vez em quando.

A fraqueza estrutural. Nunca lutou contra quem não é vizinho. O estilo passou de pai para filho dentro de uma casa, sem contraditório: aprendeu o que funcionou contra o saqueador do fiorde ao lado, e a primeira Esgrima que encontra o mata. E a segunda metade da fraqueza é pior: não sabe operar ao lado de quem não é da casa. Dois alunos de casas diferentes, na mesma esquadra, atrapalham-se — e é literalmente por isso que a formação foi abandonada.

A consequência política. É exatamente isto que paralisa expedição, que é a fraqueza declarada de Gapheim. A Guilda já tentou registrar as famílias e foi recusada, e recusada em voz alta. E há uma consequência que a cidade não discute: casa que não consegue mais armar os seus perde o nome antes de perder o dinheiro — a Casa de Hrafnkel, descapitalizada desde que os saqueadores entraram pelo fiorde, é o caso que todo mundo em Gapheim está olhando de lado.

Licencia: Golpe com a Cabeça · Golpe com o Cotovelo · Golpe com o Joelho · Soco Coelho · Pisão · Torção de Pescoço · Voadora · Chave de Braço ou de Pulso · Queda.

2.11 · ÁMENTI — a guarda da leoa

Casa de Sekhmet, na margem oeste.

Quem ensina, e onde. Entre os túmulos, no recinto da leoa, dentro da necrópole — que é maior que a cidade dos vivos e tem ruas, portões e administração própria. A guarda da necrópole é a única força armada permanente de qualquer das sete cidades, e a coisa que ninguém diz em voz alta é de quem ela é: não responde ao Tribunal de Maat. Responde à Casa de Sekhmet.

O que custa entrar. Um turno de vigília por estação, cumprido na margem oeste. E, com ele, o seu nome no rol de quem pode entrar na necrópole — o que significa que a Casa sabe onde você esteve todas as noites em que esteve em Ámenti. Na ficha é Dever à Casa de Sekhmet.

A fraqueza estrutural. É estilo de segurar porta e de não ser movido. Ancora, bloqueia, prende a perna do que passou e quebra o que insiste — e não persegue. O que corre, ganha. A necrópole é de corredor reto e portão contado; a Garganta não é nem uma coisa nem outra, e o aluno da leoa lá embaixo descobre que treinou para um lugar que só existe em casa.

A consequência política. É por isto que Ámenti pode dizer que não é marcial e estar tecnicamente certa: a cidade não tem tropa — uma Casa tem. O Tribunal tenta absorver a guarda há um século e não consegue, e não pode nem insistir muito, porque absorvê-la seria admitir em juízo que a tropa existe. E o que a leoa guarda não é Ámenti: são os mortos das outras seis, que Ámenti enterra quando a família não pode levar o corpo para casa. Uma Casa que guarda os mortos de todo mundo e responde a ninguém é a coisa mais próxima de um exército neutro que este mundo tem, e as sete cidades preferem não somar essa conta em voz alta.

Licencia: Bloqueio com o Pé · Bloqueio Agressivo com o Pé · Postura do Gato · Segurar Perna · Chave de Braço ou de Pulso · Mata-Leão · Torção de Pescoço · Queda.


3 · As oito técnicas que não têm dono

Decisão do Árbitro de 14/09/2026. Oito técnicas do GURPS Artes Marciais não têm perícia-mãe nomeada: o livro as pré-define contra "qualquer perícia de combate". Elas não são presas a estilo. Quem tem a perícia da arma tem acesso a elas, sem escola, sem mestre e sem dever nada a ninguém.

Técnica Pré-definido O que faz
Finta qualquer perícia de combate A finta do Como se joga, aperfeiçoada
Desarmar DX · Judô · perícia com arma Tirar a arma da mão do outro
Ponto de Impacto qualquer perícia de combate−3 Acertar onde se quer acertar
Riposta perícia com arma−4 Contra-atacar na aparada
Conservar a Arma perícia com arma · DX Não perder a arma quando tentam tirá-la
Combate de Perto perícia com arma de perto−2 · outra−6 Lutar dentro do hex
Luta no Solo qualquer perícia de combate−4 Lutar caído
Treino da Mão Inábil qualquer perícia de combate−4 Comprar de volta o redutor da mão ruim, arma por arma

Por que são livres, e a razão importa. Fintar, desarmar e mirar são manobra de quem sabe usar a arma, não doutrina de escola. Prendê-las a estilo faria com que um soldado de trinta anos de ofício não soubesse fintar por não ter frequentado ninguém, o que é falso no livro e falso no mundo. As escolas continuam valendo o preço que cobram, porque as quarenta e quatro que sobram são delas, e são as que decidem uma luta.

A oitava entrou em 14/09/2026, e com nome novo. Ela existia três vezes: como técnica no Artes Marciais (p.53) e como perícia em duas linhas da Tabela de Perícias — Treino do Manejo de Armas com a Mão Inábil (Fantasy p.63) e Uso da Arma com a Mão Inábil (Império Romano p.37). Decisão do Árbitro: os três verbetes descrevem a mesma coisa, e só o do Artes Marciais traz pré-definido e teto. As duas linhas de perícia saíram e ficou Treino da Mão Inábil, técnica, Difícil, livre.


4 · Entrar, ser expulso, e trocar de escola

Entra-se com ação de mundo e com o preço pago. A escola não aceita por dinheiro só: aceita por apresentação, por serviço prestado ou por quem responde por você, conforme o verbete. A homologação registra a entrada, e a linha de desvantagem entra na ficha na mesma semana.

A expulsão é escrita em cada verbete, e é sempre por quebra do preço — não por desempenho ruim. Escola nenhuma expulsa aluno fraco; todas expulsam aluno que não pagou o que prometeu.

O que a expulsão faz, exatamente:

Trocar de escola é permitido e é caro. A linha de desvantagem da escola antiga sai da ficha, e com ela saem os pontos que ela dava — que precisam vir de algum lugar. Ninguém troca de graça, e ninguém troca sem que a antiga saiba.


5 · Estilo não é cidade

Escola aceita estrangeiro, e quase todas aceitam. Um tulteca pode ter aprendido com os Fiadores; um homem de Ônfalos pode ter passado pelo Comando de Contenção; o Pátio de Bronze já treinou gente de Gapheim e tem os nomes anotados.

Isso é regra, e não exceção, por três razões:

  1. A Guilda registra pessoas, não cidades. Quem paga o preço de uma escola entra nela.
  2. Metade do que acontece na Garganta acontece no Limiar, onde as sete se misturam por desenho.
  3. O contrário empobreceria a mesa sem ganhar nada: personagem nasce onde o jogador quis e aprendeu onde a história dele o levou, e as duas coisas não precisam bater.

O que a escola cobra, ela cobra igual de todos. A única diferença que a cidade faz é política: aluno estrangeiro numa escola de Casa é assunto de embaixada, e há semanas em que isso custa caro.

Para o Mestre de Cena. Quando um personagem já usa uma perícia de combate e não tem escola declarada, não invente uma. Pergunte ao jogador com quem ele aprendeu, e trate a resposta como fato do mundo. Se ele não souber, a resposta existe e ainda não foi dita — e é bom gancho, não é buraco.


6 · O que ficou de fora, e por quê

O cinematográfico não entra. A decisão 34 do Árbitro vale inteira: doze técnicas que o próprio GURPS Artes Marciais marca como Cinematográficas ficam fora, e dezoito perícias de energia interior ficam fora com elas. Nesta campanha o sobrenatural passa por Casa, por Marca e por Dever — poder sem dono foi recusado quando a Magia Intrínseca foi recusada, e é a mesma recusa.

Quatro técnicas são de criatura, não de gente, e ficam fora por isso: duas exigem cauda, uma pertence a um estilo que o próprio livro dá a um bicho, e Chute em Varredura exige a perícia Vôo e é manobra de combate aéreo.

Os estilos nomeados do livro não entram. Os cinquenta e oito estilos do GURPS Artes Marciais citam países que não existem neste mundo, e caem no filtro da decisão 53: entra o que funciona sem o cenário do livro; fica fora o que só existe naquele mundo. As nove escolas acima são da Garganta, e são as únicas.

Seis perícias de arma ficaram fora pelo mesmo filtro, por decisão do Árbitro de 14/09/2026 — são armas de nome próprio de um povo que não está entre as sete. Onde uma delas fazia parte do pré-definido de uma técnica, o pré-definido foi reduzido ao que a Tabela de Perícias tem, e a Tabela diz isso na linha.


7 · O que ainda não tem escola

Dito na cara, para não parecer lacuna escondida. Nenhuma das onze ensina técnica de arco, de besta, de funda ou de arremesso — o livro traz as de projétil no capítulo cinematográfico, e elas caíram com ele. Batedor de Ilê Ifé, escriba de Ámenti e caçadora de Fengdu atiram pela perícia, como sempre atiraram, e não perdem nada: não há técnica de projétil realista neste acervo para eles perderem.

E há uma coisa que continua sem escola, por decisão e não por esquecimento.

A Casa de Sekhmet não tem verbete próprio nesta lista, e não vai ter. Ela é dona de uma escola — a guarda da leoa, §2.11 —, e isso é o papel marcial dela. O que ela concede de resto é magia: o colégio de Controle do Corpo e a Dádiva Recuperação Alígera, que estão onde sempre estiveram. Casa que já tem escola não ganha uma segunda.

As três Pendências que esta seção listava fecharam em 14/09/2026. Eram a escola de machado de Gapheim fora da corte, a guarda da necrópole de Ámenti e a Casa de Sekhmet. As duas primeiras viraram as escolas §2.10 e §2.11; a terceira fechou junto com a segunda, porque eram a mesma pergunta: a guarda da necrópole é de Sekhmet, e é por isso que ela não responde ao Tribunal.

A Garganta · cânone aberto · gerado em 2026-09-14 · ver em texto puro