Improviso, Círculo e Lavra

versão 4 · atualizado em 2026-09-13 · Seu personagem

Atenção. Decisão do Árbitro, 10/09/2026. A Garganta adota o Capítulo 8 do GURPS Magia — Magia de Improviso, que por determinação do próprio livro substitui integralmente o parágrafo A Criação de Mágicas Novas (Magia, pág. 15). Não existe pesquisa de gabinete, não existe pedido formal à Casa, não existem semanas de estudo pagas em ingredientes. Magia nova se faz na hora, com mana, e se prova em público.

Onde este documento divergir do 17, do 22 ou do 25, vale este documento. A lista de mágicas do mundo deixa de ser fechada.

1. O que muda, em uma frase

Até aqui, a lista de mágicas era um livro pronto e o mago escolhia dentro dele. A partir daqui, a lista é o que os magos vivos conseguiram fazer e conseguiram provar — e ela cresce toda vez que alguém sustenta uma mágica nova por um mês.

Três coisas continuam exatamente como estavam, e são a espinha:

2. Verbo e substantivo

Uma mágica improvisada é uma ação sobre uma coisa. O jogador descreve o que quer que aconteça; a mesa traduz em duas palavras. Enfraquecer Água. Deslocar Planta. Fortalecer Terra. Perceber Necromancia.

As 21 escolas do 23 §2.3 se dividem exatamente em verbo e substantivo — seis verbais, catorze substantivas, e uma fora do sistema. A divisão não foi inventada aqui: é a do livro, e ela fecha sozinha.

2.1 Os verbos — seis colégios, onze verbos

Verbo Colégio
Comunicar Comunicação e Empatia
Curar Cura
Perceber / Pressentir Reconhecimento
Enfraquecer Quebrar & Consertar
Fortalecer / Restaurar Quebrar & Consertar
Deslocar Movimentação
Proteger Proteção e Advertência
Alertar Proteção e Advertência
Criar especial — v. §2.4
Controlar especial — v. §2.4
Transformar especial — v. §2.4

2.2 Os substantivos — catorze colégios

Substantivo Ressalva
Ar · Fogo · Som
Água líquidos não aquosos a −2 ou pior
Terra metal e pedra preciosa a −3
Plantas madeira morta e fibra vegetal a −2
Animais criatura irracional
Controle do Corpo ser racional: homem, corpo
Controle da Mente ser racional
Alimentos
Luz e Trevas
Ilusão e Criação para imagens
Necromancia cadáver, morto-que-anda, entidade — e continua licenciada
Meta-mágicas o próprio mana, encantamento, entidade mágica, e a mágica em si
Clima divergência declarada da Garganta (23 §2.3) — entra como substantivo, no recorte de Ar e Água que a concessão de Clima dá, com a sub-escola de Eletricidade do 25 §1

Mágica feita sobre o próprio operador é Controle do Corpo ou Controle da Mente. Ataque direto ao corpo de alguém exige Controle do CorpoEnfraquecer Ossos exige; Enfraquecer Rocha para derrubar uma galeria em cima do inimigo, não.

2.3 O que fica fora

Encantamentos não é verbo nem substantivo. Improviso não faz item, não faz obra-prima e não faz gema. Item mágico continua inteiramente na trilha do 03 §4, do 21 e do 22 — santuário, Casa, oficina de mana e a escola de Encantamentos.

Acesso continua fechada (23 §2.3). Não se improvisa porta.

2.4 Os três verbos especiais

Criar não pode ser usado em colégio que já tenha mágica de criação própria — Ar, Fogo, Água, Terra, Alimentos, Ilusão e Criação. Nesses, criar coisa diferente é variação da mágica Criar que ele já conhece: teste contra o NH daquela mágica, com redutor de −3 no mínimo, crescendo com a distância entre o que ele sabe e o que ele quer.

Controlar e Transformar custam +3 de fadiga em vez de +2, e falham em 15, não em 16. São os verbos caros, e é de propósito: são eles que fazem uma coisa deixar de ser o que era.

3. O nível de habilidade é da escola, não da mágica

Não se compra NH de escola. Ele é consequência do que o mago já sabe naquele colégio:

Mágica conhecida em NH Vale
abaixo de 12 0
12 a 15 1
16 a 19
20 ou mais 2

Soma-se e arredonda-se para baixo. Teto: o menor entre 20 e IQ + Aptidão Mágica. Mágica que pertence a duas escolas conta nas duas.

O NH de escola de cada mago fica escrito na ficha e se atualiza toda vez que ele aprende ou lavra mágica daquele colégio.

Leia o que essa tabela diz sobre o jogo: improviso não é para quem coleciona mágicas em nível baixo. Dez mágicas em NH 11 dão zero. Quatro em NH 16 dão seis. É a mesma lição da armadilha 1 do 17 Parte 7, agora com consequência mecânica direta.

3b. Sem Taumatologia não se improvisa

Fixado em 13/09/2026, e é a porta do improviso inteiro.

Improviso exige teoria, não só prática. Por mais alto que seja o NH de escola, o mago que não tem Taumatologia não improvisa — nem uma vez, nem com margem, nem em mana alta. É o saber de como a magia funciona, e improvisar é justamente operar fora do que já está formulado.

A perícia é Mental/Muito Difícil (26, Grimório p.7). O degrau de entrada é barato e é de propósito: IQ−3 por 1 ponto abre a porta. O que se compra com 1 ponto não é competência, é licença — a rolagem de improviso continua sendo contra o NH de escola, e Taumatologia não entra nela, não dá bônus e não substitui nada.

Por que uma porta barata em vez de um bônus. Bônus somado ao NH de escola faria o improviso virar uma soma de modificadores, e o 30 §3 existe para que ele seja uma consequência do que o mago sabe, medida num número só. Uma porta de 1 ponto custa a declaração — o personagem estudou magia, e isso está escrito na ficha —, e não mexe em nenhuma conta.

O que isso faz com a mesa hoje, dito na cara: nenhum dos três magos improvisa. Lísias, Eilif e Runirsson têm NH de escola calculado e nenhum dos três tem Taumatologia. Os três podem abrir a porta por 1 ponto, e a decisão é de quem joga cada um — não se lança a perícia em ficha alheia por conveniência de regra.

E isso não é perda retroativa: ninguém improvisou até hoje, porque o NH de escola só passou a existir nas fichas em 13/09. Nenhuma cena precisa ser refeita.

4. Como se faz um improviso

Dois testes — um para o verbo, um para o substantivo, cada um contra o NH do operador naquela escola. Modificadores normais de alcance, toque e concentração.

Tempo o dobro do tempo da mágica equivalente
Custo +2 de fadiga sobre o custo da mágica equivalente (+3 em Controlar e Transformar). Não é reduzido por NH alto. Em mágica de área, o acréscimo entra no custo básico, antes de multiplicar pelo raio. A manutenção também paga o acréscimo
Falha 16 sempre falha; 17 ou 18 é falha crítica. Em Controlar e Transformar: 15 falha, 16 é crítica
Sem os pré-requisitos se o que ele está improvisando é uma mágica que existe em livro e ele não tem a cadeia dela, −5 adicional

Os resultados são graduados, e é isso que dá cena:

Verbo Substantivo O que acontece
sucesso sucesso funciona, paga a energia
decisivo sucesso funciona, metade da energia
decisivo decisivo funciona, energia zero
sucesso falha sai torto — outra coisa acontece, e ele paga a energia do que saiu de fato
falha falha nada acontece, nada se paga — ele não chegou perto o bastante da mágica verdadeira
crítica qualquer desastre. Duas críticas: calamidade

Resistência: usa-se o pior dos dois resultados do operador.

O mago sempre sabe se deu certo. Se não deu, pode não saber o que fez — mas sabe que não foi aquilo.

Nota. Como o Mestre de Cena arbitra sem inventar cânone. Ele mede o improviso pela mágica existente mais próxima — é o método do próprio livro — e anuncia custo, tempo, duração e se é resistível. Isso é provisório e daquela cena. Nada disso vira regra, e nada disso entra em documento. O que vira permanente é a Lavra, e a Lavra é do Árbitro (§7).

5. O improviso cerimonial — onde entra a mana de fora

Improviso comum é o que o mago faz sozinho, em cena, com a própria fadiga. Improviso cerimonial é como se faz mágica grande: mais lento, mais caro, e alimentado por todo mundo que estiver junto.

Tempo ×10 sobre o improviso — ou seja, ×20 sobre a mágica equivalente
Energia gasta no fim, na hora do teste, funcione ou não
Falha 16 falha automaticamente; 17 ou 18 é choque de retorno, mesmo com NH efetivo alto
Não valem a vantagem Sorte e as mágicas Benção e Desejo

5.1 De onde vem a energia

Fonte Quanto O preço
Fadiga do operador ST, e depois HT fadiga zerada é personagem inconsciente no meio do andar
Círculo de magos dividem o custo como quiserem precisam estar unidos fisicamente. Quebrou o contato, recomeça. Ferir um é como ferir o operador. Nocautear ou matar um: todos atordoados, teste de IQ para voltar
Magos fracos e não-magos no círculo até 3 pontos cada é o assento do guerreiro, do carregador e do escriba na cena grande
Espectadores 1 ponto cada, até 100 exige fé sincera e vontade de ajudar. Não se contrata gente para isso
Opositor presente −5 pontos cada, do total dos espectadores meia dúzia de infiltrados mata a cerimônia
Gemas de energia pelo 21 §2 Tulán é a melhor forja de gema das sete, e cobra por sê-lo
Objetos auto-energizados contínuo são item de forja: passam por Hefesto, Thoth ou Ogum (25 §5)

5.2 Troca: energia por habilidade

Só em cerimônia. Energia excedente vira bônus no teste:

Energia extra Bônus
+20% +1
+40% +2
+60% +3
+100% +4
a cada +100% além disso +1

É esta linha que faz da mana o preço da criatividade. Quem junta mana suficiente força a mágica a existir — e é por isso que o mago que quer inventar grande precisa de gemas, de objetos, de outros magos e de povo.

5.3 O que isso faz com o mundo

A magia grande da Garganta é feita em praça, com gente. Cem pessoas de fé sincera valem cem pontos de energia e não se compram — então convocar povo é ato político, e cada cidade convoca do jeito que governa: Ônfalos por Assembleia, Gapheim por edital do Thing, Fengdu por licença, Tulán pela data, Amaravati pelo dharma, Ilê Ifé pelo búzio, Ámenti registrando tudo e não subindo em palanque nenhum.

Fraqueza estrutural: a cerimônia que falha queima toda a energia mesmo assim — as gemas, o círculo e a fé de cem pessoas, perdidos. Uma cidade que paga e não recebe é uma cidade que cobra de alguém.

Consequência política: sabotar cerimônia é barato, negável e devastador. Cinco opositores infiltrados custam menos que uma gema.

6. Mana e profundidade

Vale o 17 §6.5 sem alteração — +2 no nível efetivo e metade da fadiga nos andares 9 a 20; sem fadiga do 21 para baixo, com toda falha comum tratada como crítica.

[!IMPORTANT] Decisão do Árbitro, 10/09/2026, e é divergência declarada. O acréscimo de improviso (+2, ou +3) é sempre pago, em qualquer faixa de mana, inclusive do andar 21 para baixo. A mana paga a mágica; ela nunca paga a invenção. Sem esta linha, do 21 para baixo o improviso sairia de graça e a economia inteira do círculo, das gemas e da troca de energia por habilidade deixaria de existir exatamente onde ela mais importa.

Leia o que isso significa lá embaixo. No 21 o mago improvisa pagando quase nada, com +2 no nível — e toda falha comum vira crítica, num sistema em que 16 já falha sempre. É o lugar mais produtivo e mais suicida do mundo para inventar magia. Alguém vai tentar.

Bolsão de mana nula: não se improvisa. E quem tem Aptidão sente a ausência ao entrar.

7. Da mágica improvisada à Lavra

Improviso é efeito de uma vez. Para virar mágica de verdade:

  1. Um mês de uso, com a mágica feita pelo menos cinco vezes por semana.
  2. 1 ponto de personagem. Ela passa a ser mágica conhecida em IQ + Aptidão Mágica − 2, e sobe dali pelas regras normais.
  3. Jogador e Árbitro escrevem a descrição junto: efeito exato, custo, tempo de operação, duração, classe, se é resistível e contra o quê, e a cadeia de pré-requisitos.
  4. O criador pode ensiná-la.

Chamamos isso de lavrar a mágica, e a mágica pronta de Lavra — a palavra serve para as duas coisas que aconteceram: ela foi trabalhada, e ela foi registrada.

[!IMPORTANT] Para tornar a mágica sua, você tem que usá-la vinte vezes em público. Não existe inventar em segredo e dominar em segredo: as duas coisas se excluem. Quem vê a mágica ser feita ganha +2 para tentar improvisá-la por conta própria.

8. A corrida

Entre o primeiro improviso e a Lavra há um mês de exposição, e é nesse mês que a campanha acontece.

E é a primeira coisa que as sete cidades disputam que não é espólio.

8.1 Como cada cidade trata o improviso

Cidade Posição O que ela cobra
Ônfalos orgulho e briga qual Casa leva o crédito. Mágica de Ônfalos tem partido, como o item
Ámenti registro a leitura do arquivo, e a prioridade de quem lavrou primeiro
Gapheim a letra sob qual cláusula a mágica foi feita, e o que exatamente ela jurou fazer
Tulán a data a Lavra feita em data certa, e a data em que ela não vale
Fengdu o selo exame e licença para improvisar; Lavra sem selo é contrabando
Amaravati o dharma se aquele mago devia ter feito aquilo
Ilê Ifé a consulta o búzio antes, e a obrigação antes do pedido

9. Travas

  1. Improviso não faz item, obra-prima, gema, grão nem bônus permanente. Nada que produza espólio ou fure a escada de profundidade do 03 §4.
  2. Fora do domínio do próprio deus, sozinho, é impossível — como sempre foi (17 §6.6).
  3. Necromancia improvisada sem licença de Ámenti ou de Fengdu é crime, não exceção.
  4. Acesso e Radiação continuam fechadas. Não se improvisa nelas, em nenhuma faixa de mana.
  5. Substantivo Meta-mágicas é sempre arbitrado pelo Árbitro, nunca pelo Mestre de Cena. Mexer no próprio mana, com a Garganta acordando, não é assunto de cena.
  6. A tabela decide o número. Toda Lavra passa pelo Árbitro antes de virar permanente, e o custo sai da comparação com a mágica de livro mais próxima.
  7. O personagem do Árbitro não recebe favor. Carta, artigo 4 — e num sistema em que o Árbitro arbitra cada improviso, isto precisa estar escrito aqui também.

10. Quem decide o quê

Mestre de Cena Árbitro
Arbitrar um improviso em cena sim, medindo pela mágica de livro mais próxima
Efeito torto de sucesso parcial sim
Falha crítica de improviso comum sim
Falha crítica de cerimônia com povo sim: é fato de cidade
Improviso com substantivo Meta-mágicas sim
Escrever a Lavra sim, com o jogador
Absorver ou recusar a Lavra na Casa sim, por Boletim
Registro, prioridade e disputa de nome sim

Nota. Decisão do Árbitro, 10/09/2026, e sem ela o sistema não anda. O Mestre de Cena pode arbitrar improviso, porque um jogador não pode esperar uma semana pelo preço de uma mágica que ele quis fazer numa cena. Isso não viola a trava de que Mestre de Cena não inventa cânone: o improviso é transitório, é medido contra mágica que já existe, e não vira documento. Cânone é a Lavra, e a Lavra é do Árbitro.

11. O círculo misto — a mágica que precisa de duas Casas

[!IMPORTANT] Decisão do Árbitro, 10/09/2026. Num improviso cerimonial, cada um dos dois testes pode ser rolado por um mago diferente do círculo — um rola o verbo contra o NH dele naquela escola, o outro rola o substantivo contra a dele.

Dois magos de Casas diferentes fazem juntos uma mágica que nenhum dos dois faz sozinho. É o motor de invenção do mundo e é o motivo de a corrida ser também diplomacia.

Fraqueza estrutural: são dois testes e dois pontos de falha; o sucesso parcial agora tem duas Casas para explicar o que saiu torto. E cada um sai da sala sabendo a fórmula do outro — e nada impede que corra a lavrar primeiro.

Consequência política: magia nova nasce de gente de cidades rivais na mesma sala. Toda Lavra importante vai ter, no registro de Ámenti, dois nomes de duas cidades — e uma discussão sobre a ordem em que aparecem.

12. O que esta decisão deixou pendente — e o que sobrou

Nenhuma pendência aberta. Três das cinco fecharam em 13/09/2026 e as duas restantes não são decisão a tomar: são gatilhos, que disparam quando a mesa chegar neles.

Fechadas em 13/09/2026:

  1. ~~O NH de escola precisa entrar na ficha.~~ As três fichas com mágica ganharam o bloco, calculado pela tabela da §3 — Lísias (Som 5, Luz e Trevas 4, Comunicação 3, Reconhecimento 3, Movimentação 2), Eilif (Comunicação 4, Ilusão e Criação 2) e Runirsson (Fogo 3, Terra 1). As outras quatro não têm mágica. E o 24 §5 passou a exigi-lo no item 12: ficha de mago sem NH de escola volta.
  2. ~~Presságio e Taumatologia sem uso amarrado.~~ Taumatologia é obrigatória para improvisar — §3b. (Presságio segue sem uso amarrado e não é pendência: é perícia de adivinhação, e o uso aparece quando um jogador a comprar.)
  3. ~~O 23 e o 25 existem só no Notion.~~ Os dois estão na pasta e no ar desde 11/09/2026. (A pendência nasceu numa arquitetura que não existe mais: o Notion saiu, a pasta é a fonte e o GitHub é o espelho.)

Os dois gatilhos, que ficam armados e não pedem nada de ninguém agora:

A Garganta · cânone aberto · gerado em 2026-09-13 · ver em texto puro